sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lambendo a Cria.


Na manhã seguinte ao nascimento da Monique
o meu obstetra veio me visitar no quarto.

Chegou brincando, perguntando se eu estava sabendo
que a Guarda Municipal teve que bloquear as ruas
perto do hospital no dia de ontem, devido a uma
multidão que veio fazer visita no hospital.

Disse isso se referindo à quantidade de pessoas que
aguardavam a chegada da Monique pela vitrine do berçário.

Após a brincadeira, e de saber como eu estava,
avisou-me que iria aproveitar o feriado
para ir até Pelotas “lamber a sua cria”,
estava se referindo a sua filha que mora e estuda lá,
mas que voltava no sábado a tarde para me dar alta.

Tudo certo, porém o sábado passou e ele não veio.

À noite a enfermeira entrou no quarto avisando-me
que o médico havia ligado e que não poderia vir.
Deu uma desculpa qualquer sobre pegar a estrada a noite,
mas que viria no domingo, ainda pela manhã.

Eu sabia que aquilo não era verdade,
com certeza quis aproveitar melhor o passeio.

Na verdade, já imaginava que isso podia acontecer,
tanto que eu não havia guardado nada das minhas coisas,
e mesmo com vontade de vir embora, eu podia entender.
No domingo pela manhã após o café e o banho,
guardei todas as coisas e fiquei a espera do médico.

As 11:30 chegou o meu almoço, e ele ainda não.

Já passava do meio dia quando ele entrou no quarto.
Chegou rindo e se desculpando.

Antes que pudesse dizer qualquer “desculpa esfarrapada”
eu fui logo dizendo que lhe perdoava,
pois agora sabia muito bem o que é “lamber a cria.”






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