quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Médico ou Monstro?

Quando o pediatra da Monique
esteve no hospital para dar alta a ela,
foi bem firme ao dizer que não deveríamos
sair de casa com ela antes de 1 mês de vida.

Também deixou bem claro que o único
medicamento a ser usado seria o Paracetamol.

Fez mil e uma recomendações sobre
passar de colo em colo, pessoas gripadas,
mãos lavadas e crianças por perto.

Tudo isso aumentava ainda mais a minha “neurose”.

Quando as pessoas vinham nos visitar,
só ficavam satisfeitas após pegarem ela no colo,
o que eu entendo e até acho normal.

Mas nesses primeiros dias sendo ainda muito pequena,
acredito que isso não faça muito bem para ela,
mas é difícil, ou melhor, impossível dizer NÃO.

Se dizer não para o colo é difícil,
imagina dizer para não embalar e
lavar as mãos antes de pegar.

Tudo isso era mesmo impossível para mim.

Pra me deixar ainda mais “doida”,
tenho duas sobrinhas de 3 e 5 anos,
que estão radiantes com a chegada da Monique.
Mas para elas pegar a Monique no colo
é igual como se pega as bonecas pra brincar.

Minha irmã, mesmo segurando, colocava no colo delas.
Eu ficava cega vendo isso, pois não queria que fizesse,
mas não sabia como dizer pra não fazer.
As crianças já perceberam o meu nervosismo
e faziam ainda mais pra me provocar.

Parecia que ia “afundar a moleirinha” da Monique,
toda vez que impulsionavam o corpo sobre a cabeça dela,
e meu coração parecia que ia sair pela boca
toda vez que via essa cena acontecer.

Quando tinha coragem de falar alguma coisa,
mencionava logo que foi o médico quem falou.

Então comecei a ouvir que não podia
ir atrás de tudo que os pediatras dizem.
Que as coisas não são bem como eles falam.

Então me pergunto quais cuidados
realmente necessitam de maior atenção,
e se não é bem assim, então porque eles falam isso?

Ele queria me ajudar dizendo essas coisas,
ou queria me deixar mais confusa ainda?

Muitas dúvidas surgiam na minha cabeça.
Todos queriam palpitar em alguma coisa,
e em vez de me ajudarem me confundiam ainda mais,
e filtrar esses comentários, não era tão fácil,
como filtrar os que surgiram durante a gravidez.

Era bem mais fácil de conduzir as coisas
da maneira que as outras pessoas relatavam
do que da maneira que o médico colocou.

E com tantas proibições médicas,
fez ele deixar de ser um médico pra mim,
e passar a ser um monstro naquele momento.







quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Depressão! Será?




O sentimento de ser mãe era muito bom.
Jamais poderia imaginar tamanho amor sem sentir.
A cada dia eu estava mais apaixonada pela minha filha,
porém outro sentimento tomava conta de mim, o Medo.

Não sabia muito bem como ou porque,
mas estava me fazendo muito mal sentir isso.

Não sabia como agir com esse sentimento.
Dividir com as pessoas talvez fosse uma saída,
mas eu tinha medo de não ser compreendida,
então só me restava chorar, e chorei muito.

Em minha cabeça passavam vários acontecimentos,
e todos eles eram ruins e envolviam a minha filha.

Ela era tão pequenina,
tão frágil que parecia que ia “quebrar”.
Era o meu “passarinho de asa quebrada”,
precisando de muitos cuidados.

Chegava a me faltar o ar, e por alguns instantes
tinha a impressão que o meu coração parava de bater
toda vez que imagina que pudesse perder ela.

Meu marido já não sabia mais o que fazer pra me ajudar,
isso que eu nem contava pra ele tudo o que eu pensava,
somente dizia que tinha medo de perdê-la e nada mais.

Certo dia vi na televisão uma reportagem.
Era sobre uma mãe que levantou pra fazer café
e o botijão de gás explodiu matando-a e
ferindo os dois filhos que estavam em casa.

Pronto, quem disse que eu conseguia ir até o fogão?
Toda vez que isso era necessário me dava pânico.
Já estava ficando neurótica com tudo isso.

O que me acalmava era amamentar.
Quando ela estava ali em meus braços
fazia com que eu me sentisse forte,
e parecia que nada de ruim pudesse lhe acontecer.

Então eu chorava mais ainda olhando para ela
e agradecendo a Deus por ter ela ali comigo.

Após algumas semanas estava me sentindo melhor
e resolvi contar para minha mãe o que eu senti.
Ela acabou ficando preocupada e disse
que poderia ter me dado uma depressão.

Meu marido confessou que também pensou,
mas que tinha medo de me falar isso.

Enfim, depressão ou não, eu não sei.
Mas sei que hoje eu estou ótima
e graças a Deus, curtindo muito a minha filha.


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Uma Boneca de Verdade!


Graças a Deus foi tudo perfeito.
Eu estava me sentindo super bem,
tirando claro, as dores para amamentar
e o “retorno” do útero ao normal.

Domingo, 03 de Maio, havia passado 3 dias,
e agora era hora de voltar para casa.

Ao chegar em casa o peso da responsabilidade foi maior.

É hora de assumirmos os nossos papéis.
Hora de ser mamãe e papai de verdade.
Agora era pra valer.

Sem ninguém pra ajudar na hora do banho,
nas trocas de fraldas e durante as mamadas.
Nossa “bonequinha” era de verdade,
e precisava exclusivamente de nós.

De inicio, confesso que assusta um pouco.
A gente se pergunta, será que daremos conta?
Mas o instinto fala mais alto sempre,
e por fim, a gente acaba tirando de letra,
ou, achando que esta tirando de letra.

Olho pra ela e nem acredito que é minha.
Várias vezes me pego chorando,
principalmente nas horas de amamentar,
e não me canso de agradecer a Deus por ela.

Quase nem lembro que estive grávida.
Enjôos, inchaço, falta de ar, noites sem dormir...
Já nem acredito que fizeram parte da minha vida.
Tudo é esquecido e compensado quando olho pra ela.

Com certeza uma grande benção em minha vida.
É um amor que transforma a gente.
Um amor tão grande, que chega a doer no peito.



Lambendo a Cria.


Na manhã seguinte ao nascimento da Monique
o meu obstetra veio me visitar no quarto.

Chegou brincando, perguntando se eu estava sabendo
que a Guarda Municipal teve que bloquear as ruas
perto do hospital no dia de ontem, devido a uma
multidão que veio fazer visita no hospital.

Disse isso se referindo à quantidade de pessoas que
aguardavam a chegada da Monique pela vitrine do berçário.

Após a brincadeira, e de saber como eu estava,
avisou-me que iria aproveitar o feriado
para ir até Pelotas “lamber a sua cria”,
estava se referindo a sua filha que mora e estuda lá,
mas que voltava no sábado a tarde para me dar alta.

Tudo certo, porém o sábado passou e ele não veio.

À noite a enfermeira entrou no quarto avisando-me
que o médico havia ligado e que não poderia vir.
Deu uma desculpa qualquer sobre pegar a estrada a noite,
mas que viria no domingo, ainda pela manhã.

Eu sabia que aquilo não era verdade,
com certeza quis aproveitar melhor o passeio.

Na verdade, já imaginava que isso podia acontecer,
tanto que eu não havia guardado nada das minhas coisas,
e mesmo com vontade de vir embora, eu podia entender.
No domingo pela manhã após o café e o banho,
guardei todas as coisas e fiquei a espera do médico.

As 11:30 chegou o meu almoço, e ele ainda não.

Já passava do meio dia quando ele entrou no quarto.
Chegou rindo e se desculpando.

Antes que pudesse dizer qualquer “desculpa esfarrapada”
eu fui logo dizendo que lhe perdoava,
pois agora sabia muito bem o que é “lamber a cria.”






quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Primeiro Baile...



Eram 8 da noite quando sai da sala de recuperação
e junto com a Monique fomos para o quarto
onde o Miro aguardava por nós.

Apesar de o corpo estar pedindo um descanso
eu não consegui dormir naquela noite
pois qualquer “ruído” que ela fizesse
era o suficiente para curvar o meu corpo e olhá-la.

No dia seguinte era sexta feira de feriado,
1° de Maio dia do Trabalhador,
o que facilitou a visita para muitas pessoas.

É sempre bom receber os amigos.
Nós pais, queremos apresentar nossos filhos.
Ouvir as pessoas dizendo que são bonitinhos
e que parece com um ou com o outro.

Acredito que somos pessoas muito queridas
pelos nossos amigos, pois a galera foi em peso.


Recebemos muitas visitas.
Em certo momento, além do Miro, Monique e eu
havia mais 12 pessoas juntas no quarto,
fora o restante que iam chegando e saindo.

Todos estavam impressionados com a Monique,
uma criança super calma, tranquila e serena,
que mesmo no meio de tanta conversa não acordava.

Mas o dia acabou e as visitas foram embora.
Então começou o nosso baile...

Nossa pequena acordou e não dormiu mais.
Estava inquieta e chorava muito.
E o baile se estendeu madrugada adentro.

O Miro já vencido pelo cansaço
deitou-se na cama ao lado e dormiu, e pior,
roncava muito e mesmo eu chamando não acordava.

Cheguei a jogar travesseiros nele,
e mesmo assim nada dele acordar.

A essa altura, eu já estava furiosa.
Eu não queria ficar sozinha naquele baile.

Lembrava das visitas que lhe encheram de “colinho”,
e que com certeza estavam dormindo em suas camas,

e eu ali sozinha, sem mais ninguém pra me ajudar.

O baile se estendeu até as 5:30 da madrugada
até que finalmente ela dormiu.
Porém dormiu junto na cama comigo
o que me deixava com medo de dormir
e acabar deitando sobre ela.

Depois que ela foi para o berço,
finalmente achei que iria descansar,
mas tudo não passou de um doce engano.


Era quase 7 horas da manhã.
Começava a troca de plantão,
e muitas conversas surgiam no corredor.

A porta do quarto se abre, era uma enfermeira,
que veio passar a medicação e verificar os sinais,
e quis saber como havia sido a nossa noite.

Eu não sabia se ria ou chorava para responder.
Após ter relatado, ela disse: Agora dorme e descansa.

Pensei em fazer isso, mas o barulho ensurdecedor
dos carrinhos passando pelo corredor não deixavam.
Eram as copeiras entregando o café da manhã.

Chega então o café, eram 8 horas da manhã.
Mais um dia começava sem eu ter dormido.

O baile havia terminado,
mas a ressaca não me deixava esquecer.